Doenças de pele e a influência emocional

Na sociedade atual, em que vigoram padrões estéticos bem delimitados e de certa forma exigentes, uma doença de pele pode provocar impacto emocional, físico e social, afetando a vida dos seus portadores. A visibilidade, o aspecto desfigurante, o estigma e muitas vezes a cronicidade contribuem para que as dermatoses tragam prejuízos importantes para a qualidade de vida e para os relacionamentos interpessoais, os sentimentos de inadequação e de baixa autoestima.


A pele age como um abrigo da individualidade e, ao mesmo tempo em que protege, é a fachada que expõe cada um. A maioria dos portadores de psicodermatoses já experimentou o sentimento de ser fisicamente não atraente, não desejável ou ambos, além de ter sofrido algum tipo de discriminação ou rejeição em locais de circulação social ou no trabalho. Muitas vezes, o que mais incomoda os pacientes é a reação de outras pessoas frente à doença, e por isso as doenças de pele “doem” a partir do olhar do outro.


Apesar de ser clara a exposição a que ficam submetidos os portadores de qualquer tipo de dermatose, muitos deles, principalmente os mais graves, apresentam queixas e frustrações com relação ao manejo da doença, a ineficácia dos tratamentos e por perceber que o impacto da doença ainda é subestimado pelos profissionais da saúde. Assim, pode-se dizer que dói também o “não olhar”, ou seja, a desqualificação da dor.


Doenças crônicas e desfigurantes como a psoríase e o vitiligo e seu impacto psicossocial podem servir como estressores por si só, podendo resultar em um significativo estresse diário e estar associadas a um intenso sofrimento psíquico.


Psoríase


Quem apresenta psoríase não sofre apenas com os danos físicos que a doença provoca sobre a pele, como manchas vermelhas e escamas secas e esbranquiçadas. O impacto emocional, relacionado às lesões aparentes no corpo, também é um forte componente da enfermidade, sobretudo para mulheres, normalmente mais ligadas às questões da imagem corporal do que os homens.


Entre os jovens o aspecto emocional da doença também merece atenção, segundo a dermatologista Maria Cecilia Bortoletto, médica colaboradora do ambulatório em pesquisa em psoríase da Faculdade de Medicina do ABC. “É nesta fase que se iniciam, com mais intensidade, os relacionamentos sociais, os namoros. Também há um período de exposição maior da pele, como nos passeios à praia, por exemplo”, afirma.


Outro problema psicológico associado à doença, segundo a médica, é um possível preconceito que os pacientes podem enfrentar no momento de procurar emprego, dependendo da gravidade das lesões. Com isso, forma-se um ciclo de tensão difícil de ser rompido: as manifestações cutâneas da doença podem abalar o emocional do paciente e essas situações de estresse e emoções negativas podem, por sua vez, agravar a doença.

Vitiligo


O vitiligo acomete, em média, 1% da população mundial. Mais de 75% dos pacientes têm autoimagem depreciativa em relação à doença. A doença aparece após eventos estressantes significativos para o paciente em um período não maior que um ano, às vezes pode aparecer repentinamente, de um dia para outro. Aponta-se também que, quanto maior a área corporal afetada pela despigmentação, maior foi o nível de stress, depressão e tensão emocional.


O fato mais significativo para o paciente não são as manchas, que não lhe causam nenhum sintoma nem prejuízo físico, mas a interpretação que ele faz delas. O vitiligo afeta o paciente de maneira arrasadora e atinge também os familiares.


A condição não é contagiosa e nem representa um risco para a vida de quem a possui, mas pode afetar seriamente a autoestima do paciente e pode ser uma espécie de gatilho para o surgimento de problemas psicológicos, como a depressão.


Neste contexto, O ritmo alucinante da vida de hoje, a transitoriedade das coisas, das pessoas e dos valores, a valorização do bem material, o individualismo crescente, competitividade, o preconceito e a discriminação, falta de solidariedade e a premência do tempo e do sucesso podem desencadear ou agravar as psicodermatoses, como a psorÍase e o vitiligo, determinadas pelas sobrecargas emocionais.


Vale ressaltar que, nos dois casos, assim como em outros casos de psicodermatoses, a ajuda de um psicólogo, além de médico e, em alguns casos, psiquiatra é fundamental. Desta forma, as doenças ficam controladas e o paciente se sente mais confortável física e emocionalmente.




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