Pais não devem expor os filhos às brigas do casal



Brigar, discutir, se desentender... Tudo isso faz parte da rotina de um casal, especialmente daqueles que estão juntos há um tempo. Contudo, quando se tem filhos, essas situações podem ter consequências que vão além das duas diretamente envolvidas. Por isso, os pais devem evitar expor as crianças às brigas, alerta a psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, Rita Calegari.


Segundo Rita, em geral, após as brigas o casal faz as pazes e fica "numa boa". Já a criança fica fragilizada e assutada por dias. Além disso, quando as brigas são frequentes, os pequenos podem desenvolver distúrbios de comportamento e doenças.


Sem a base que deveria sustentá-las ajudando-as a formar sua personalidade e protegendo-as, a lista de problemas de comportamento e doenças que podem aparecer é enorme: insegurança, terror noturno, ansiedade, bruxismo, alergias na pele, problemas escolares, de relacionamento, agressividade, depressão, obesidade, anorexia, insônia, enurese (xixi involuntário) e encoprese (cocô involuntário), etc.


Qualquer briga ou discussão em que os pais fiquem exaltados, agressivos ou chorosos pode ser nociva para as crianças e inclusive trazer muita culpa ao pequeno que, em geral, acredita que a briga dos pais é por sua culpa.


Os adultos devem ficar atentos quando há violência física ou psicológica. Discordar e ter opiniões diferentes é normal e saudável. A criança pode ficar preocupada com isso e os pais devem explicar que isso é normal e que ambos se respeitam. O que não pode é ter conflito físico ou psicológico na frente dos filhos.


Rita acrescenta ainda que, é fundamental ficar atento às "brigas silenciosas" em que pouco se fala, mas há afastamento e hostilidade entre o casal. Não se enganem, as crianças percebem muito mais do que se imagina, principalmente quando envolve seus pais.


Em cada fase da criança há uma percepção diferente quanto às brigas dos pais. Crianças pequenas, de até seis anos, costumam de sentir inseguras e com medo diante dos conflitos violentos, porém, nesta fase, estão menos ligadas aos pais e mais ligadas a si mesmas.


Com o passar do tempo, a criança perceberá os olhos inchados de choro, expressões de tristeza ou raiva e poderá se sentir culpada por isso, pois nesta fase é comum que a criança ache que o humor dos pais é consequência do comportamento delas.


Por volta dos sete anos a criança já é mais capaz de entender que não é sua culpa, mas pode ficar assustada, pois o rompimento da família a afeta diretamente. Nesta fase elas deixam de ser egocêntricas para ser egoístas e competitivas, sendo assim, elas não gostam de ver os pais brigando, pois, se eles se separarem quem sairá perdendo são elas.


Por fim, crianças com mais de sete anos já possuem uma empatia mais desenvolvida e, por isso, sofrem ao presenciar as brigas, tentando ajudar os pais. Para piorar, os pais podem fazer a criança escolher um dos lados, o que para ela é terrível, já que se sentirá traindo o outro lado.


Ainda que se tome cuidado, brigas e discussões mais severas podem acontecer e se acontecer, os especialistas recomendam que ambos conversem com as criança, explicando que ela não tem culpa, o que aconteceu e como as coisas ficarão, claro em uma linguagem simplificada.


Fonte: Revista Crescer.





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